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MATUTO ASSALTADO

Esta é a estória de um matuto que veio morar na cidade grande do Recife/PE,
onde trabalhou no Banco do Brasil até se aposentar - os seus hábitos do 
interior foram preservados -, inclusive o de guardar o dinheiro no bolso da 
cueca. Aposentado, às sextas-feiras fazia um saque para as despesas 
normais da próxima semana e, como era de costume, o guardava no bolso
da cueca. Num desses dias, já escurecendo, foi aboradao por dois assaltantes
que lhe espetaram suas "peixeiras" quando aida se encontrava no meio da 
ponte, sozinho.  Trêmulo de medo, automaticamente afrouxou o cinturão
e começou a descer as calças... não! não! gritaram-lhe os assaltantes, nós
só queremos o seu dinheiro!
Incrível! O mesmo personagem, agora um matuto saudoso, resolveu dar um 
passeio no interior do estado e foi parar na aldeia dos índios fulniô, no 
município de Aguas Belas/PE, onde lhe aconteceu o inesperado: dois índios
um de cada lado, espetaram-lhe suas flexas pontiagudas. ora, já condicionado
ao recente assalto no Recife/PE, instintivamente arriou as calças para pegar 
o dinheiro no bolso da cueca, gesto que muito agradou os índios, entretanto, 
qual não foi a sua surpresa quando os supostos assaltantes lhe disseram:
não! não! índios não querem seu dinheiro, índios só querem apito!
Recife, 03/1987
m. casotti sobº

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